TRAVESSIA ALVES X BOI
Tem lugar em Minas que a gente só acredita quando alguém conta. Serra dos Alves é assim.
Escondida entre paredões de pedra, lá no distrito de Senhora do Carmo, em Itabira, é uma vila de raiz rural, daquelas em que todo mundo te cumprimenta, mesmo sem te conhecer. Cachoeira, cânion e montanha por todo lado, e parte das terras ainda encosta no Parque Nacional da Serra do Cipó.
Do outro lado do caminho fica Santana do Rio Preto, que ninguém chama assim: é Cabeça de Boi, povoado de Itambé do Mato Dentro, abraçado pelas serras do Lobo e das Posses, e com cachoeira de sobra também.
Nossa travessia liga as duas, a pé, do jeito que se fazia antigamente.
Você sai dos Alves e vai entrando na trilha, cortando campo aberto, atravessando estradinha de terra e pulando veios d’água que aparecem do nada. A cada curva, uma cachoeira, um riacho, um paredão enorme te lembrando o quanto você é pequeno.
No meio do caminho, a pausa que você faz por merecer: a Cachoeira do Bongue. Uma escultura que a natureza levou séculos pra fazer, com água gelada, limpinha, daquelas que lavam o cansaço junto com a poeira. Mergulha, deita na pedra, respira.
Ao fim da tarde, você chega a Cabeça de Boi com as pernas cansadas e o coração leve. E tem mesa posta te esperando no restaurante do Seu Candinho, tradição da região. O prato do dia não podia ser outro: Vaca Atolada em Cabeça de Boi. Comida de panela grande, feita com capricho, pra quem andou o dia inteiro e sabe o valor de um prato cheio.
Tem quem chame de passeio - eu chamo de imersão. Você caminha pelos mesmos caminhos, come a comida e conversa com a gente que mantém vivo o jeito dos dois povoados.
E a gente deixa tudo preparado pra você caminhar sem se preocupar com nada - comida farta, lanche de trilha completo, guias pioneiros dessa travessia e muita prosa no meio do caminho.
Vem fazer essa trilha do tempo dos tropeiros, entre dois vilarejos do interiorzão de Minas que o relógio esqueceu de apressar.








